A Palma e a Mão
Quero os teus dedos molhados, bastante salgados,
encosta os teus lábios aos meus.

Mal o meu corpo te encontra, já estás pronta
mas fazes de conta que não me queres.

Tu és mais do que um beijo, sentes desejo,
ouve o coração bater mais depressa
enquanto embalas e perdes a fala,
tem cuidado não me faças sofrer.

Eu venho de longe, estou quase a chegar.
Apresento-me hoje, porque amanhã não vou estar.

Não demoro, quero-te agora, fica na porta um “volto já”.
Mal me conheces, mas não me esqueces.
Chego mais cedo, mas não posso ficar.

Caio na tua rede, matas-me a sede.
Olho-me ao espelho, a vapor e suor.
Fixa o olhar no escuro, quero que vejas
o meu e o teu esplendor.

Fica bem mais de perto, tiro-te a teima,
o que tens tu para dizer?

Sei mais do que tu julgas, tens manias novas
e há tanta noite a preencher.
Eu e tu somos muitos, não podemos falhar
O que perdemos ontem, hoje vamos ganhar

Gastei mais que as palavras
Em sonhos que eram teus,
E do pó que pisavas
Fiz estradas e céu.
Inventei ventos e ruas,
Fiz-me louco nos teus braços,
E das minhas frases nuas
No teu corpo escrevi laços.

E se partires de amanhã
Deixa a sombra e o chão
Esta noite eu e tu
Somos a Palma e a Mão

E no nome que te dei
Tu já tens onde acordar,
Amanhã eu não sei
Quem te vai abraçar.
E então voltas do nada,
Sem pecados ou perdão,
Esta noite eu e tu
Somos a Palma e a Mão.

Vem de longe o teu caminho,
Em mim faz sempre verão,
Esta noite eu e tu
Somos mais que a razão.
Eu sou um mundo sozinho,
Por isso é fácil dizeres "Não"
Volta para mim esta noite
Para sermos
A Palma e a Mão.

Gastei mais que as palavras
Em sonhos que eram teus,
E do pó que pisavas
Fiz estradas e céu.
Inventei ventos e ruas,
Fiz-me louco nos teus braços,
E das minhas frases nuas
No teu corpo escrevi laços.

E se partires de amanhã
Deixa a sombra e o chão
Esta noite eu e tu
Somos a Palma e a Mão

E no nome que te dei
Tu já tens onde acordar,
Amanhã eu não sei
Quem te vai abraçar.
E então voltas do nada,
Sem pecados ou perdão,
Esta noite eu e tu
Somos a Palma e a Mão.

Vem de longe o teu caminho,
Em mim faz sempre verão,
Esta noite eu e tu
Somos mais que a razão.
Eu sou um mundo sozinho,
Por isso é fácil dizeres "Não"
Volta para mim esta noite
Para sermos
A Palma e a Mão.

Gastei mais que as palavras
Em sonhos que eram teus,
E do pó que pisavas
Fiz estradas e céu.
Inventei ventos e ruas,
Fiz-me louco nos teus braços,
E das minhas frases nuas
No teu corpo escrevi laços.

E se partires de amanhã
Deixa a sombra e o chão
Esta noite eu e tu
Somos a Palma e a Mão

E no nome que te dei
Tu já tens onde acordar,
Amanhã eu não sei
Quem te vai abraçar.
E então voltas do nada,
Sem pecados ou perdão,
Esta noite eu e tu
Somos a Palma e a Mão.

Vem de longe o teu caminho,
Em mim faz sempre verão,
Esta noite eu e tu
Somos mais que a razão.
Eu sou um mundo sozinho,
Por isso é fácil dizeres "Não"
Volta para mim esta noite
Para sermos
A Palma e a Mão.

Vens ou ficas
Esta cidade é só nossa .
E a noite pede-nos um corpo
Para continuar a viver.
Se vieres, vou esperar-te à estação.
Trarás contigo a razão
Quem te ouve e quem te vê.
O encontro será apenas um momento
No interior do pensamento
Onde tudo se resolve.
Os segredos são o centro de um incêndio
Que arde com o silêncio
Como outra noite qualquer.
Se me ouves, se recusas as palavras,
Transformamo-nos em nada,
Quase deixamos de ser.
E as horas que se despedem devagar
Que se afastam de ficar
Que se aproximam de morrer.
O que fomos passa por nós na avenida,
É um pedaço da nossa vida
Que ainda quer sobreviver.

Vens ou ficas
Eu vou estar à tua espera
Por mais que a força não queira
Seremos dois a decidir.

No meio de tanta gente
Não te posso dizer
Que os teus dias são os meus dias
Não me dou nem te dás a conhecer

Trocam olhares e palavras
Recebem a noite a dançar
Riem, bebem e gritam
E a música não quer parar

Sentam-se á mesa os cúmplices
Seguros de tudo o que são
Tudo o que sinto é um vazio
Eu espero e tu nunca mais vens

Todos têm seus nomes
E sei dizê-los de cor
Vestem vícios e mentiras
Já vivi noites melhores

No meio de tanta gente
Não te posso mostrar
Que por não estares presente
Não quero mais ficar

Fala-me dos teus sonhos,
Diz-me quem és
Mostra-me o teu mundo,
Diz-me no que crês
Queres que te ouça,
Que me renda ao que és
Os segredos que te guardo
São tudo o que és
Queres que guarde a tua imagem
Que seja a margem da tua pele
Queres sentir o meu corpo
Que seja um porto sempre fiel,

Tens no meu mundo,
As perguntas e os porquês
Quando estás comigo tu és o que és
Vem comigo agora é a nossa vez

Agora que me tens,
Diz-me o que vês
Solta gritos mudos,
Abraça-me outra vez
Se me pedes que mergulhe,
Eu estou pronto, não quero acordar
As palavras que me ofereces,
São as mesmas
Que me fazem sonhar

Sem perguntar, sei de notícias tuas,
Leio em sinais esquecidos por aqui.
Esta distância é um nada que magoa,
Eu não consigo existir sem ti.

Se a tua voz pertence a outra pessoa,
O teu silêncio não lhe pode pertencer.
A paisagem é uma palavra à toa
Que não te disse. Nunca quiseste saber.

Onde estás, que não te vejo
Andas longe no teu vagar,
Procuro apenas no meu desejo,
Apenas em mim te sei encontrar.

Esse adeus continua até hoje
A despedida teve um nome qualquer
Devagar, o tempo foge,
Foge contigo e sou eu que o estou a perder.

Tenho tantos sonhos guardados,
Tenho tantas lembranças de ti,
Recomeço os planos adiados
E começo a imaginar-te aqui.

Meu Caro Jorge,
Escrevo-te esta carta para perguntar como estás
Como tens passado, como vai a vida
Quando me visitas por cá?

Falamos um pouco, fazemos um brinde e saudamos todo
Este céu
Esteja quem estiver, que nos mande um beijo
Com a graça que Deus lhes deu
Meu Caro Jorge

A tua perseverança folgo em saber que é sentida
Pinta a tua vida e faz um carrossel,
O teu coração é forte tem uma força desmedida
E o teu mundo é folha de papel

Guardo nos meus sonhos as tuas cantigas
Nunca deixes de ser como és
Se estiveres atento à tua magia
Tens o mundo a teus pés

Assim me despeço, até qualquer dia
Um bem haja e continuação
Na volta cá te espero, recebe um forte abraço
Do teu amigo João

A tua perseverança folgo em saber que é sentida
Pinta a tua vida e faz um carrossel,
O teu coração é de aço tem uma força desmedida
E o teu mundo é folha de papel

O circo está cheio
O espectáculo vai começar
Apagam-se as luzes
A banda começa a tocar

Entram acrobatas, homens contentes
Há salva de palmas
Sorriem inocentes

Os animais entram em acção
Estalam chicotes
Cresce a tensão

Fitam os donos, rangem os dentes
Estão cheios de sono
Vivem dormentes

Fogem da jaula, rompem barreiras
Há gritos na sala
Há pânico nas cadeiras Há gente caída, há corpos no chão
São bocados de alma
Uns vivem, outros não

Dói-me o corpo
Dói-me a alma
Dói-me o ego
Dói-me tudo
Estou cansado
Tenho fome
Tenho sede
Sinto a terra
Passa a vida inteira
Neste palco de feras

No final cansados, chegam-se à frente
Estão todos de volta
No fim da sessão

Dói-me o corpo
Dói-me a alma
Dói-me o ego
Dói-me tudo
Estou cansado
Tenho fome
Tenho sede
Sinto a terra
Passa a vida inteira
Neste palco de feras

A tua avó, coberta pelo silêncio,
Olha para ti, atravessa o tempo,
E segue os passos que dás.

No seu rosto, és ainda a criança
Que brinca no quintal, que correu pelas ruas
E que tem de proteger.

Naquela idade em que a memória te acompanha
As avós esperam, feitas de ternura,
Têm colo para dar.

Elas conhecem os caminhos que nasceram antes de ti
E adormecem sozinhas, cismam nos dias que não têm fim
Sentem as veias nas mãos, cumprem os seus rituais,
Lembram um mundo só delas, existem por detrás da cal.

Sem terem mal

Chegará um dia em que o silêncio encontrará
O tempo, o teu rosto
Por detrás da cal

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