Segredos
Conta-me histórias de tempos
A que eu gostaria de voltar
Tenho saudades de momentos
Que nunca mais vou encontrar
A vida talvez sejam só 3 dias
Eu quero andar sempre devagar
Até a ti chegar

Ninguém é de ninguém
Mesmo quando se ama alguém
Ninguém é de ninguém
Quando a vida nos contém
Ninguém é de ninguém
Quando dormes a meu lado
Ninguém é de ninguém
Quando fico acordado vendo-te dormir

Um raio de sol através de um vidro
Faz-me por vezes hesitar
Na vontade de estar contigo
Melodia que paira no ar
Que paira no ar

Ninguém é de ninguém
Mesmo quando se ama alguém
Ninguém é de ninguém
Quando a vida nos contém
Ninguém é de ninguém
Quando dormes a meu lado
Ninguém é de ninguém
Quando fico acordado vendo-te dormir
Onde quer que vá, escrevo o teu nome
Onde quer que esteja, alguém se esconde
Numa gruta além, sopra um murmúrio
Solta-se uma voz vinda do escuro

Por mais que uma palavra se diga a medo
Por mais que eu veja um vulto, guardo segredo
Tocas-me no rosto que eu sempre quis
Soltas uma lágrima quando sorris

Grito por ti, sentido
Chamo por ti, perdido
Andamos aqui sofridos de dor

Onde quer que pare, há um sinal
Às vezes discreto, o que é normal
Sua ausência faz-me entristecer
Quem tudo quer, tudo deita a perder

Somos assim sentidos
Estamos aqui perdidos
Andamos a fim, eu de ti e tu de mim

Solta a tua voz, deixa-te levar
Quando estamos sós, nada mais nos vai parar
Acende um cigarro, olha p’ra mim
Sentada a meu lado toca-me assim
Envergonhado estou-me a sentir
Posso estar farto mas fico por aqui

Há quem queria por-me em cima de um altar
Há quem diga que sou a sorte e o azar

Ando louco, tão louco, louco por ti
Fico louco, tão louco, fora de mim

São raros os casos em que eu não tenha de me cruzar
Selamos segredos, por vezes dão que falar
Bebe-se um copo, um convite para jantar
Salta-me à vista esse teu rebelde olhar

Ando louco, tao louco, louco por ti
Fico louco, tao louco, fora de mim

Sorriso nos lábios, tenta-me seduzir
Fico nervoso, daqui quero sair
Vagueio p’las ruas da marginal
É tanto vento que se faz sentir
Sob a geada vou
Sem destino para onde ir

Será que namoro a lua
Ou quem sabe o mar
Indo em frente em pensamento
Procurando divagar

Ela só vem ao de cimo
Quando chega o pôr do sol
Para me dar um carinho
Ou para falar de amor

Conta-me viagens no mar
Daquilo que nunca vi
Recordo a infância
E quem nunca esqueci

Volto sempre dia após dia
À mesma hora, ao mesmo lugar
Será que namoro a lua
Ou quem sabe o mar

Olho as cores do céu
Com estrelas a brilhar
O que é feito da sereia?
Mais não voltou a acenar

Nunca lhe fiz nenhum mal
E também nunca a esqueci
Os dias foram passando
Até que me apercebi

Ela já não me fala
Desconfio que me odeia
Descobri afinal
Ela tem ciúmes da lua cheia
Tanta coisa já passou nada mudou, e eu aqui…
Sempre a pensar em ti
Passam-se coisas e coisas que nem quero acreditar
E o teu olhar faz-me sede…
Desejo de viver

Não me ignores, não me desprezes
Assim talvez um dia
Quem sabe, outro dia, outra noite, outro luar
Eu volte a acreditar

Dar-te um beijo, satisfaz o meu desejo
De te tocar, esperei tanto tempo
P’ra te abraçar, p’ra te enrolar em mim

Aconteceu tornou-se realidade
O teu corpo, tudo em ti era verdade
Mas já passou e no vazio caí

Até que chega o momento
Cada hora é um tormento
Mas só te peço para ficares
Ainda estás a tempo de mudar
Esse oljar que existe em ti

Fica ao pé de mim
Só canto para te agradar
Tens de mudar esse teu pensar
Esse teu olhar ao pé de mim

Ando triste amor que não me assiste
Traz a dor palavras de desgosto
Cantando assim mais me sinto perto de ti

Não me negues, talvez o teu último abraço
Com o tempo marcado passo a passo
Acreditar que foi melhor assim
À luz da candeia, velhos a conversar
Falam de tudo até ela apagar
Chove intensamente começo a sentir
Bate levemente é pedra a cair

Um manto branco estende-se no chão
Sinto no corpo a lentidão
O rosto amargo faz-nos sofrer
Escolho um caminho, querer é poder

Quando me encontro, avivo memórias
Gostava de ser um contador de histórias
Eu sei e tu também
Quem foi, quem jurou, quem beijou, quem voltou
Rosa dos ventos a norte
E a sul já se mudou, tocou
Um passo falso em frente, rodou
Rodou de repente
Andou, até se encontrar a si própria
Olhou, olhou em volta

Onde estás não sei
Se estás bem, pensa em mim que eu também
Sorte de quem te tem
Sou só eu, talvez eu mais ninguém

Partiu, em busca de aventura
Conseguiu, e sentiu loucura
Voltou, girando em meu redor
Fez para ser a bem querer, foi melhor, tremeu
Quando já nada havia, correu
Enquanto podia
Andou, até se encontrar a si própria
Olhou, olhou em volta

As docas estão mais cheias
A ponte ainda lá está
Procuro entre as ideias
Indo de bar em bar

Andando calmamente
Como quem já não te tem
Entrei na confusão
Senti que não sou ninguém

Os sonhos são mais longos
Do que as tardes de Verão
Por momentos senti
Que procurei em vão

O homem que eu sou
Não pára de pensar
O homem que eu sou
Não pode falhar
Porque na vida há ir e não voltar

Em volta da cidade
Uma vontade enome de surgir
Pergunto a toda a gente
Se vale a pena resistir

Do outro lado da margem
Ouço um pequeno assobio
Alguém me tenta abraçar
E eu de costas para o rio
leve levemente como quem chama por mim
Fundido na bruma no nevoeiro sem fim
Uma ideia brilhante cintila no escuro
Um odor a tensão do medo puro
Salto o muro, cuidado com o cão
Vejo onde ponho o pé, iço-me a mão
Encosto ao vidro um anel de brilhantes
É de fancaria a fingir diamantes
Salto a janela com muita atenção
Ponho-me à escuta, bate-me o coração

Sabem que me escondo na Bellevue
Ninguém comparece ao meu rendez-vous
Porta atrás porta pelo corredor
O foco de luz no ultimo estertor
No espelho um esgar, um sorriso cruel
Atrás da ultima porta a cama de dossel
Salto para cima experimento o colchão
Onde era sangue é só solidão

As minhas amiguinhas lá no jardim
E agora mais ninguém confia em mim
Era só para brincar ao cinema negro
Os corpos no lago eram de gente no desemprego
Saí daqui, p’ra bem longe
Fugi assim, muito longe
Fiz-me à estrada ao amanhecer
À deriva sem nada a perder
Fui embalado, ao sabor do vento
Deixei-me ir, nas horas do tempo
As memórias ficam por contar
Das tristezas não quis falar
Será que a culpa foi toda minha
Será que ao fundo termina a linha
O horizonte acaba ali
E a nascente jamais a vi

Sou mais um sonhador
Quiçá um trovador

Adormeci, quase anoitecia
Quando acordei era outro dia
O cansaço tomou conta de mim
O fracasso já nasceu assim
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